Que diferença faz um ano...
09 de Fevereiro de 2013 e faz exatamente um ano que o Grupo Manroland Sheetfed superou a crise de insolvência pela qual a Manroland AG passou. E como está se saindo o último investimento do "homem por detrás da Manroland", o industrialista britânico Tony Langley? Crista Baxter relata.
Tony Langley está sorrindo. Em sua Análise Presidencial sobre o Balanço Anual de 2012 da Langley Holdings PLC, o qual fora publicado na primeira semana de fevereiro, o homônimo fundador, CEO e Presidente deste notável grupo de engenharia tem muitas razões para sorrir. Este foi outro ano recorde para o grupo desde que foi fundado em 1975.
"Tony Langley: o homem por detrás da Manroland"
Faturamentos de €527 milhões, lucros antes dos impostos de €121 milhões, reforçados em €25 milhões pela valorização de mercado do portfólio de propriedades da Manroland em Offenbach e o grupo permanece sem dívidas, relatando €208 milhões em caixa no final do ano. Por sua vez, a Manroland Sheetfed relatou estar "caminhando com suas próprias pernas" no balancete do primeiro semestre da Langley, "continuando a fazer o mesmo no segundo semestre". O Grupo Manroland Sheetfed, o qual abrange mais de 40 empresas ao redor do mundo, não está incluso nos números da Langley, a fabricante de impressoras vai reportar seus números em março e planeja-se incorporar ao Grupo Langley Holdings ainda este ano.
Analisando bem as contas pode-se ver que a Langley pagou aproximadamente €80 milhões pelo Grupo Manroland Sheetfed em fevereiro do ano passado - €21 milhões pelas propriedades de Offenbach, aproximadamente €59 milhões pelo restante. O que não está claro é o que ele recebeu no 1º dia, mas as contas da Manroland em 31 de dezembro de 2012, inclusas na Análise Presidencial, estão mostrando ativos líquidos de €80 milhões, após adquirir um empréstimo de €57 milhões da Langley Holdings. Adicionando os €25 milhões de valorização da propriedade alemã nos livros da Langley Holdings, os ativos líquidos totais serão de €105 milhões; sendo que aproximadamente €45 milhões estão em caixa. Provavelmente o desconto no valor do ativo líquido era substancialmente maior no 1º dia; o negócio foi reestruturado desde então e apenas obteve um empate operacional até o final do ano. Além disso, Langley disse que ele não espera uma contribuição significativa nos resultados do Grupo vindo da Manroland em 2013;" ... isso vai ocorrer mais para frente", ele disse, mas com a fabricante de impressora agora estruturada com um ponto de balanço de €350 milhões de faturamento e tendo alcançado €358 milhões em 2012, ele espera ver" ... alguma melhoria em 2013."
Ano que vem, as coisas com certeza estarão diferentes na nova Manroland Sheetfed. Langley e sua equipe estavam fisicamente presentes em Offenbach na maior parte de 2012 e dá para notar. A alta gestão da manroland AG com seu Quadro de Diretores, Vice-Presidentes, Vice-Presidentes Executivos e Vice-Presidentes Seniores, juntos com suas reuniões intermináveis, memorandos e contas corporativas elevadas se foram. Em seu lugar, uma equipe comandada pelo próprio Langley, alguns poucos tenentes confiáveis e, o único sobrevivente da gestão sênior da antiga manroland AG, Rafael Penuela - agora CEO. Ao redor dos gestores, os lugares sufocados por anos de burocracia estão se sendo melhores, "administrados". E no chão de fábrica, há um certo ar de otimismo. "Há um ano atrás, antes do Sr. Langley se juntar à empresa, não tínhamos futuro, hoje temos", disse um dos funcionários.
No 1º dia, Langley nomeou o veterano em operações alemãs, Alfred Rothlaender, para chefiar a empresa e dirigir a transição do colosso que a empresa foi um dia para uma organização enxuta, uma característica dos negócios da Langley. Rothlaender se retirou no final de 2012 "sem deixar pedra sobre pedra" para retornar para a sua aposentadoria, após cumprir sua missão final para a Langley. Durante este período a empresa passou por grandes mudanças, passando a ser uma empresa que agora consegue obter um empate financeiro produzindo apenas 100 impressoras por ano.
As coisas continuam difíceis na indústria gráfica, não menos do que na outra extremidade do negócio de metais pesados. Uma queda na demanda por novas máquinas, pós Lehmann Brothers, combinada com o ritmo glacial do ajuste de excesso de capacidade pelas principais empresas viu os preços das impressoras caírem e, enquanto a Manroland Sheetfed administra a questão de excesso de capacidade, muitos observadores duvidam se os outros têm chance financeira de recuperação. Inevitavelmente, de acordo com a antiga lei, quando a capacidade excede a demanda, os preços caem. Os preços das impressoras não são mais como eram há cinco anos atrás, mas Langley não parece muito preocupado: "Embora nossos concorrentes estejam perdendo dinheiro com os atuais níveis de preço, nós não estamos. Nossa base de custos é bem menor, por isso fico contente por estar fora disso."
E ele vai ficar do lado de fora. Não se trata de uma venda de ativos para se ter lucro ou uma busca por capital de risco. Langley é um atuante de longo prazo e, não tendo outros acionistas aos quais precise responder, ele pode se permitir a esperar. Ele prosperou ao comprar bons negócios em fim de ciclo, realinhando custos e aguardando. Langley ainda não vendeu um negócio sequer e não planeja começar agora. Ao mesmo tempo, a admissão de aprendizes está sendo mantida na fabricante de impressoras e o investimento continua em Pesquisa & Desenvolvimento.
No passado, as três grandes fabricantes alemãs eram obcecadas por participação no mercado. Langley não está jogando esse jogo. Julgando pela troca de CEO na Heidelberg, nem eles estão mais participando disso. Até mesmo a KBA está se questionando quando à prudência de tentar agarrar uma parcela de mercado da nova Manroland Sheetfed. Com a Langley controlando as coisas, a Manroland vem se transformando em um forte atuante de nicho de mercado e os aficionados por "ROLAND" não são facilmente convencidos a mudar. "Por que comprar Volkswagen ou GM quando pelo mesmo valor você pode ter uma Mercedes Classe S?" alguém disse.
"Faturamento por vaidade, lucro por sensatez" diz o ditado. Isso está bem evidente em outras divisões da Langley, duas das quais também são alemãs. Eles superam de maneira sensata o VDMA, o índice alemão de fabricantes de maquinários, sem esforços. Não que o grupo Langley seja exatamente pequeno; com o faturamento da Manroland, está se chegando a um faturamento de um bilhão e se trata de uma empresa privada e tem substanciais reservas de caixa e não tem dívidas.
Após um ano, a Manroland Sheetfed possui um novo acionista, uma nova direção e está olhando para o futuro com confiança. Que diferença um ano faz.